
Cobertura no Saulo Ramos, Lagoa da Conceição
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Em 1984, Amyr Klink partiu da costa africana sozinho, a bordo de um pequeno barco a remo, para realizar uma travessia que ninguém havia concluído daquela maneira. Cem dias depois, alcançou o litoral da Bahia e entrou para a história da navegação. Agora, mais de quatro décadas depois, essa jornada chega aos cinemas em 100 Dias, filme dirigido por Carlos Saldanha, com estreia marcada para 29 de outubro de 2026.
Interpretado por Filipe Bragança, o navegador brasileiro ganha uma versão cinematográfica que acompanha tanto os desafios do Atlântico quanto os conflitos pessoais de um homem determinado a executar um projeto considerado improvável.
A história possui todos os elementos de uma grande aventura: isolamento, tempestades, um oceano inteiro pela frente e uma embarcação construída para enfrentar a travessia. Entretanto, seu aspecto mais extraordinário talvez esteja nos anos que antecederam a partida. Antes de remar milhares de quilômetros, Amyr precisou transformar uma ideia ousada em um plano possível.
Inspirado no livro Cem Dias Entre Céu e Mar, o longa também marca um encontro entre dois brasileiros reconhecidos internacionalmente: um pela capacidade de explorar os oceanos, outro por criar universos no cinema.


100 Dias acompanha a expedição realizada por Amyr Klink em 1984, quando o navegador cruzou o Atlântico Sul a remo, partindo da Namíbia em direção ao Brasil.
A direção é de Carlos Saldanha, cineasta brasileiro conhecido por trabalhos como A Era do Gelo e Rio. Desta vez, ele assume uma narrativa de aventura baseada em acontecimentos reais, com o oceano como cenário central.
Filipe Bragança interpreta Amyr durante a juventude. O elenco também reúne Philippine Leroy-Beaulieu, Felipe Camargo, Gero Camilo, Martha Nowill e Duda Mamberti.
A produção adapta o livro Cem Dias Entre Céu e Mar, publicado depois da expedição e transformado em uma das obras mais conhecidas da literatura brasileira de viagens.
Além da jornada física, o roteiro explora a relação de Amyr com a família, especialmente os conflitos com o pai, e o processo de amadurecimento que acompanha a decisão de atravessar o oceano.
O filme teve sua première mundial no Festival do Rio, em 10 de outubro de 2026, durante a gala brasileira de encerramento do evento. A estreia comercial nos cinemas brasileiros está prevista para 29 de outubro.
Amyr Klink tinha 28 anos quando iniciou a expedição que mudaria sua vida.
Em junho de 1984, deixou Lüderitz, na Namíbia, em uma embarcação especialmente projetada para cruzar o Atlântico Sul a remo. O destino era o litoral brasileiro, a milhares de quilômetros de distância.
Naquele período, o navegador não contava com os recursos hoje comuns em expedições oceânicas. Não havia GPS, comunicação por satélite ou acesso instantâneo a previsões meteorológicas atualizadas.
Por isso, a preparação exigiu um conhecimento profundo das correntes marítimas, dos ventos e das condições que encontraria pelo caminho.
O barco precisava reunir características difíceis de conciliar: resistência para suportar o oceano, espaço para transportar provisões e dimensões que permitissem a um único homem movimentá-lo com remos.
Durante a travessia, Amyr enfrentou o isolamento e a exigência física de manter uma rotina em alto-mar. Além disso, precisou administrar os recursos disponíveis e tomar decisões sem contar com uma tripulação.
Em 18 de setembro de 1984, chegou à Praia da Espera, na Bahia, completando uma viagem de aproximadamente 3.700 milhas náuticas, equivalentes a quase 6 mil quilômetros.
O feito o tornou a primeira pessoa a atravessar sozinha o Atlântico Sul em um barco a remo.
A chegada também marcou o início de outra jornada. Os registros da expedição deram origem a Cem Dias Entre Céu e Mar, livro que levaria sua história a leitores muito além do universo náutico.
A imagem de um homem sozinho no meio do oceano costuma despertar admiração imediata. Mas a trajetória de Amyr Klink ganha outra dimensão quando se observa o trabalho necessário para tornar a viagem possível.
Foram cerca de dois anos de estudos e preparação.
Nesse período, o navegador pesquisou rotas, estudou as condições do Atlântico e acompanhou relatos de expedições anteriores. Também participou do desenvolvimento da embarcação, avaliou os equipamentos necessários e buscou soluções para os desafios de comunicação.
Amyr chegou a deixar o emprego em um banco, em São Paulo, para se dedicar à viabilização do projeto.
A decisão envolvia riscos financeiros e pessoais. Afinal, o sucesso da travessia dependia de uma longa sequência de escolhas feitas ainda em terra.
Durante um encontro no Rio2C, em maio de 2026, o navegador destacou que seu interesse estava na experiência de conceber um projeto desafiador e executá-lo.
Esse aspecto ajuda a compreender por que sua história permanece relevante. A expedição nasceu de curiosidade, pesquisa e disciplina, muito antes de ganhar a dimensão de um recorde mundial.
No cinema, a travessia concentra a ação. Na vida real, porém, os cem dias sobre o Atlântico foram o resultado de anos de trabalho.

Levar essa história ao cinema exigiu soluções próprias.
Em uma animação, Carlos Saldanha pode construir cenários inteiros digitalmente. Em 100 Dias, o desafio foi recriar um ambiente real cuja força depende justamente de sua imprevisibilidade: o Atlântico.
A produção contou com colaboração internacional, incluindo profissionais e empresas da Finlândia especializados em efeitos visuais, design de som e pós-produção.
O trabalho envolveu a criação de tempestades, fenômenos marítimos e cenas com animais em alto-mar.
Entre as sequências desenvolvidas com recursos digitais está um encontro com baleias, produzido com participação de uma equipe finlandesa.
Portanto, o objetivo era preservar a sensação de escala e de vulnerabilidade de um homem sozinho em uma pequena embarcação, cercado por água em todas as direções.
Além disso, a narrativa precisou traduzir para o cinema uma experiência marcada por longos períodos de solidão e repetição. A travessia real durou cem dias, mas o filme precisa comunicar a passagem do tempo e a transformação do personagem em uma estrutura dramática própria.
Amyr acompanhou o desenvolvimento da adaptação e concedeu liberdade criativa aos realizadores.
Sendo assim, a escolha permitiu que o longa explorasse conflitos e emoções sem ficar restrito à reprodução literal dos acontecimentos registrados no livro.


Interpretar um navegador em uma expedição solitária exige um tipo particular de preparação.
Grande parte da história acontece com apenas uma pessoa em cena, diante de um ambiente que muda constantemente. O ator precisa transmitir cansaço, concentração, medo e determinação com poucos diálogos e recursos.
Para viver Amyr Klink, Filipe Bragança passou por treinamento físico e técnico. Entre as habilidades estudadas estava a navegação com sextante, instrumento utilizado para determinar posições a partir da observação dos astros.
Além disso, o ator também perdeu cerca de 11 quilos durante a preparação. Esses detalhes ajudam a compreender a exigência do papel. O filme acompanha um homem submetido a um esforço prolongado, em condições que afetam tanto o corpo quanto a percepção do tempo.
A caracterização, portanto, precisava acompanhar as transformações da viagem.
A atuação de Bragança é um dos elementos centrais da produção, especialmente porque a história depende da capacidade de sustentar a atenção do público durante os momentos de isolamento do protagonista.

Publicado após a travessia, Cem Dias Entre Céu e Mar consolidou Amyr Klink como escritor e tornou a expedição acessível a pessoas que nunca haviam colocado os pés em um veleiro.
O livro reúne observações sobre a navegação, a vida a bordo, os desafios da viagem e os pensamentos que acompanharam o autor durante os meses no oceano.
Em entrevista à revista Veja, em setembro de 2026, Amyr contou que fez questão de escrever o texto pessoalmente, preservando sua maneira de narrar a experiência.
O resultado foi um sucesso editorial que atravessou gerações.
A ideia de adaptar a obra para o cinema partiu de Marina Klink, esposa do navegador, que desejava ver a história transformada em uma produção cinematográfica.
O projeto levou anos para se concretizar, até encontrar em Carlos Saldanha um diretor interessado tanto na dimensão da aventura quanto na trajetória humana de seu protagonista.
Ou seja, essa adaptação também aproxima duas formas de contar uma mesma experiência.
No livro, o leitor acompanha os acontecimentos pela perspectiva de quem esteve no barco. Por outro lado, no filme, a narrativa ganha imagens, interpretações e uma construção dramática capaz de apresentar a expedição a um novo público.

A travessia de 1984 foi apenas o início de uma carreira extraordinária no mar.
Nos anos seguintes, Amyr Klink realizou viagens em veleiros, expedições à Antártica e voltas ao mundo em solitário. Sendo assim, o seu nome passou a representar uma tradição brasileira de exploração marítima marcada por planejamento rigoroso e desenvolvimento de embarcações adaptadas a condições extremas.
Além disso, a experiência também se transformou em livros, palestras e projetos ligados à navegação.
Atualmente, Amyr mantém sua ligação com o universo náutico e participa da administração de uma marina em Paraty, no Rio de Janeiro.
A relação com o mar também chegou à geração seguinte. Sua filha Tamara Klink construiu uma trajetória própria como navegadora, realizando expedições e desenvolvendo seus projetos de maneira independente.
Em entrevista à BBC News Brasil, em outubro de 2026, Amyr explicou que procurou incentivar essa autonomia, evitando que a filha simplesmente reproduzisse seu caminho.
O interesse pela navegação, portanto, continua presente na família, agora acompanhado de novas tecnologias, rotas e perspectivas.

A experiência de Amyr Klink pertence ao universo das grandes expedições, distante da rotina da maioria das pessoas. Ainda assim, sua história desperta um interesse familiar a quem gosta de navegar: o desejo de conhecer a água por uma perspectiva própria.
Há quem encontre esse prazer em travessias oceânicas. Outros preferem uma saída de veleiro no fim de semana, uma manhã na lagoa ou algumas horas acompanhando a costa.
Em Florianópolis, a geografia favorece essa relação. A Lagoa da Conceição reúne praticantes de esportes náuticos, enquanto a Baía Norte e a região de Jurerê integram a paisagem marítima ao cotidiano de diferentes bairros.
A cidade também possui uma tradição de vela representada por clubes e escolas náuticas, como o Iate Clube de Santa Catarina, conhecido como Veleiros da Ilha.
Para quem cultiva essa paixão, morar perto da água significa reduzir a distância entre a vontade de navegar e a possibilidade de fazê-lo. A escolha de um endereço próximo a clubes, marinas e pontos de embarque pode transformar a frequência com que o barco sai da água.
Em regiões como Jurerê, Lagoa da Conceição e Cacupé, a relação com o mar assume formas diferentes. Alguns endereços, o atrativo está na proximidade com a infraestrutura náutica. Já em outros, na vista para as embarcações e na presença constante da paisagem costeira.
É uma dimensão do morar que ultrapassa a arquitetura. Afinal, a localização também determina quais experiências cabem nos dias comuns.

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100 Dias recupera um dos episódios mais singulares da navegação brasileira e o apresenta com a escala visual do cinema.
A história reúne a ambição de um jovem navegador, a preparação minuciosa de uma expedição e o enfrentamento de um ambiente sobre o qual ninguém possui controle absoluto.
Além disso, o longa oferece a oportunidade de conhecer Amyr Klink antes de ele se tornar uma referência internacional, quando sua travessia ainda era um projeto cercado de dúvidas e dificuldades.
A direção de Carlos Saldanha e a interpretação de Filipe Bragança aproximam essa trajetória de uma nova geração de espectadores.
Mais de quarenta anos depois da chegada à Bahia, a expedição continua impressionante. Um pequeno barco, cem dias de oceano e a determinação de executar uma ideia que parecia distante da realidade.
100 Dias estreia nos cinemas brasileiros agora em 29 de outubro de 2026. Para quem aprecia histórias de aventura, navegação e escolhas extraordinárias, é um encontro marcado com uma das jornadas mais marcantes do Brasil.
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